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Dólar passa a cair no 1º pregão de dezembro após comentários de Trump
02/12/2019 11:50 em Todas

Na sexta-feira, o dólar fechou a R$ 4,2397, em alta de 0,57%, acumulando avanço de 5,73% no mês.

Por G1

 

Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters

 Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters

 

O dólar opera em queda no 1º pregão do mês de dezembro, depois de ter acumulado avanço de mais de 5% em novembro e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer nesta segunda-feira (2) que irá restaurar tarifas sobre importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina e com leilões do Banco Central.

 

Às 11h23, a moeda norte-americana caía 0,34%, a R$ 4,2246. Na abertura, chegou a operar em alta, batendo R$ 4,2556. Veja mais cotações.

 

O dólar passou a cair depois da realização dos leilões do Banco Central, que vendeu neste pregão 9.600 contratos de swap cambial reverso e US$ 480 milhões em moeda spot, de oferta de até 10 mil contratos e US$ 500 milhões, respectivamente, destaca a Reuters. Adicionalmente, o BC leiloará contratos de swap tradicional, para rolagem do vencimento fevereiro de 2020.

 

Na sexta-feira, o dólar fechou a R$ 4,2397, em alta de 0,57%, acumulando valorização de 5,73% no mês de novembro. No ano, tem alta de 9,43% frente ao real.

 

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2019 permaneceu em R$ 4,10 por dólar, segundo pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda. Para o fechamento de 2020, subiu de R$ 4 para R$ 4,01 por dólar.

 

Trump acusa Brasil e Argentina de desvalorizarem moedas

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou nesta segunda-feira, em uma rede social, Brasil e Argentina de desvalorizarem "maciçamente" suas moedas, e afirmou que vai reinstalar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio dos dois países.

 

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que, se necessário, conversará com o Trump a respeito do restauração de tarifas sobre a importação, pelos EUA, de aço e alumínio de Brasil e Argentina.

 

Analistas ouvidos pelo G1 rebatem, porém, a acusação de Trump de que Brasil estaria desvalorizando o real como uma política cambial e destacam que entre os principais fatores que explicam uma disparada do dólar no país nas últimas semanas está justamente os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

 

"A guerra comercial é um dos fatores principais que tem levado a aversão ao risco e atingindo principalmente mercados emergentes, em especial a América Latina por conta das tensões políticas em alguns países. Ele não têm razão em dizer que o país está desvalorizando a moeda. Não é política cambial", afirmou o economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, a fala de Trump.

 

Para o economista da Austin Rating, Alex Agostini, Trump tem o foco na sua agenda de reeleição e a declaração visa agradar a sua base de apoio político, que são os empresários norte americanos".

 

"A declaração de Trump deixa evidente que ele parece não compreender como funciona o mercado de câmbio global. Ou seja, quais os fatores que influenciam o preço das moedas de forma direta e indireta.

 

 

Real foi a 4ª moeda que mais perdeu valor frente ao dólar em novembro

 

O real foi a quarta moeda que mais perdeu valor em relação ao dólar no mês de novembro, segundo levantamento da Austin Rating com o comparativo das variações de 121 moedas no mundo.

 

O real se desvalorizou 5,2% frente ao dólar em novembro, ficando atrás somente do bolívar soberano, da Venezuela (-36,1%), do kwacha, da Zâmbia (-9,3%), e do peso do Chile (-8,1%).

 

No acumulado no ano, o Brasil ocupa a 13ª posição no ranking das moedas que mais perderam valor frente ao real. A liderança é da Venezuela (-98,3%), seguida pela Argentina (-37,2%) e Angola (-37%).

 

Ranking das moedas que mais perderam valor frente ao real — Foto: Economia G1

Ranking das moedas que mais perderam valor frente ao real — Foto: Economia G1

 

 

O que explica a disparada recente

 

A alta do dólar tem como pano de fundo principal o movimento de saída de dólares do país e a preocupação com a desaceleração da economia mundial e as incertezas em torno das negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos para colocar fim à guerra comercial que se arrasta desde o começo de 2018.

 

 

Além disso, também tem pesado no câmbio a maior tensão social na América Latina e a queda dos juros no Brasil e o diferencial em relação aos Estados Unidos, o que também contribui para manter afastado um fluxo maior de capital externo para o mercado brasileiro.

 

Integrantes da equipe econômica do governo têm sinalizado que o novo patamar do dólar veio para ficar. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já disse que, apesar da alta recente da moeda norte-americana, o órgão não tem uma meta para a taxa de câmbio.

 

 

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que, diante da redução da taxa básica de juros no país, o câmbio de equilíbrio "tende a ir para um lugar mais alto". Com isso, o mercado também 'testa' o limite do câmbio, o que contribui para uma maior volatilidade.

 

 

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